Velocidade

Campeonato Brasileiro de Rally

ENTREVISTA - Dirceu Cabral, coordenador técnico do Rally Erechim, 2ª etapa do Brasileiro de Rally de Velocidade

Ele está por dentro de todo o planejamento do Campeonato Gaúcho e do prestigiado Rally Erechim

Aqui no RallyBR passamos o ano envolvidos na divulgação dos eventos do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade e Cross Country, já em Erechim, uma pessoa também dedica a maior parte do seu tempo à realização do evento mais badalado do calendário nacional do Velocidade, o campeonato estadual e a sua nova versão E-Sports. Dirceu Cabral, coordenador técnico do Erechim Auto Esporte Clube vai contar pra gente um pouco do seu trabalho na entrevista a seguir.

Quando e como você conheceu o esporte?

Por incrível que pareça meu primeiro rally foi em 1998, trabalhava em uma estatal do estado como estagiário, e naquele ano o Luis Tenebro me convidou para auxiliar o Primeiro Rally de Erechim, lá em 1998. Foi mais ou menos ligação a primeira vista. Após isso acompanhei como espectador de 1999 a 2004, em 2005 naveguei para o Darlan Hermes na Prova de Erechim, e a partir de 2006, assumi o trabalho que cuido até hoje na coordenação técnica do Erechim Rally Brasil. Embora uma breve história nas organizações, já me trouxe muita experiência em eventos desse segmento. No currículo já se contabiliza mais de 60 Road Books (Livros de Bordo) desenvolvidos.

Quais suas funções na realização do Rally Erechim e no campeonato regional?

Realizo a gestão da parte técnica do Erechim Rally Brasil e do Campeonato Gaúcho de Rally Velocidade. No Gaúcho começamos a ajudar em 2009, quando da gestão do Fico Barros na Federação.
Claro que nada se faz sozinho, então, muito da minha parte é auxiliar, orientar e até aprender com os voluntários. Digamos quem uma especia de Gestor da Parte Técnica, desempenhando a coordenação de atividades.

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Como é a sua rotina de trabalho, tendo o privilégio de estar envolvido com rally profissionalmente?

Praticamente é uma rotina de 12 meses ao ano, trabalho contínuo com esses dois segmentos que atuo e desenvolvendo novas possibilidades que possam trazer visibilidade ao nosso esporte, tal como a estreia do e-RSrally, que terá sua primeira temporada esse ano. Infelizmente, só de Rally não se vive, e também desempenho atividades em outro segmento.

Para você, qual a melhor parte de estar envolvido na organização dos eventos?

Acho que o aprender todo dia, estar envolvido, trocar ideias. Conhecer lugares, pessoas, línguas. Hoje, temos grandes amizades conquistadas pelo rally, que extrapolam fronteiras.

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Quais os maiores dificuldades de trabalhar com rally no Brasil?

A maior dificuldade é a falta de incentivo que nosso esporte tem. Por estarmos no país do Futebol, temos que trabalhar muito mais para chegar a alguns objetivos. Além de outros motivos, que não valem a pena elencar!

Estamos testemunhando o grande interesse pela versão virtual do rally, com a lista do E-RSrally superando os 50 inscritos em uma semana. Você acha que esta pode se tornar a nova porta de entrada ao nosso esporte?

Acredito que sim, vivemos tempos aonde as pessoas passam conectadas grande parte de seu tempo a equipamentos eletrônicos. Já acompanhamos em alguns eventos de pista, que o automobilismo virtual conseguiu desenvolver pilotos para a vida real. E queremos iniciar esse caminho no e-RSrally, nosso objetivo é que em 3 ou 4 anos possamos começar a produzir pilotos para a realidade, assim como hoje já temos pilotos reais, inscritos em nosso campeonato virtual. Inclusive vindo de outras categorias.

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Como você avalia as oportunidades de intercâmbio entre as organizações de outros estados? Existem possibilidades de novas experiências nesta temporada?

Sempre é interessante, como disse, nunca sabemos tudo, como temos a ensinar, temos a aprender. Em 2018, de última hora acabei indo auxiliar no Rally da Graciosa, através do pedido da grande amiga Taíssa Antunes, e lá pude vivenciar uma experiencia que ainda não tinha, um evento de asfalto.

Você, particularmente, gostaria de conhecer ou estar envolvido em algum evento específico fora do eixo do Velocidade?

Tenho curiosidade em eventos de Cross Country e Endurance. Dentro da FGA temos uma grande abertura para aprendizado, a ideia é em 2019 poder participar como "observador" de provas de endurance, para conhecer, e quem sabe em 2020 não desenvolvamos um Campeonato Gaúcho de endurance virtual. Porque não né?

Existem planos para integração de outras categorias off-road nos eventos do Rio Grande do Sul?

Sempre buscamos a tentativa dessa integração. Trabalhamos há alguns anos com planejamento para dois anos, como a identificação e busca de novos competidores e ações que facilitem a chegada de interessados. O Mundo Off-Road é amplo, então, porque não buscarmos. Erechim já tem um selo de qualidade no Rally Velocidade e em provas do Enduro FIM gestionadas pelo Erechim Off Road e Trail Clube de Erechim, que sempre estamos lá apoiando e ajudando. Seria um objetivo bem interessante, termos um Cross Country em nossa região.

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Poderia adiantar alguma novidade da edição 2019 do Rally Erechim?

Estamos trabalhando há alguns meses já na formatação do evento, esse ano pretendemos trazer novidades, mas como as conversações não estão 100%, vamos aguardar para poder divulgar com 100% de certeza.

Qual a meta para o Grid do Rally Erechim na edição deste ano?

Trabalhamos com o objetivo de um grid de 65 a 75 carros. Esse número na verdade será revisado após as duas primeiras etapas do Codasur e do Rally de Estação.

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O que você recomendaria a um competidor em início de carreira?

Além da paixão, dedicação! Um grande competidor se faz de vários fatores. Leia regulamentos, aprenda sobre o carro, estude navegações. Conhecimento nunca é demais, então, o primeiro passo é conhecer os detalhes do nosso esporte. Claro, se não souber ou tiver dúvida, estamos sempre a disposição em ajudar!

Conhecendo as limitações de recursos e pessoal, como o RallyBR poderia inovar nas coberturas dos eventos do calendário nacional?

Acredito que pelas limitações impostas, hoje o RallyBR já faz uma cobertura diferenciada dentro de uma modalidade um tanto quanto esquecida no nosso automobilismo.

Fotos: Redes Sociais, Divulgação e Edson Castro

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